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Os Rivengos do Campeonato Piauiense de 1977
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27/12/2015

Rivalidade só a partir da década de 1960

A rivalidade entre o Esporte Clube Flamengo (Fundado em 1937) e o River Atlético Clube (Fundado em 1946) não se iniciou justamente no primeiro confronto entre as duas equipes realizado em 25 de abril de 1948, no campo do Lindolfo Monteiro, resultando em um empate sem gols. Ela só apareceu bem mais tarde, já na década de 1960. Antes, o time rubro-negro armazenava todas as suas forças para as pelejas do esporte bretão diante do Botafogo de Teresina.

O River, nascido dos quadros do time do Ginásio Leão XIII, até então não passava de mais uma equipe recém-criada no futebol teresinense. Tanto que não preocupava os outros clubes mais antigos, a não ser nas dificuldades impostas por Flamengo e Botafogo para que o tricolor não disputasse o certame de 1948. Mas a premissa logo se mostrou falsa quando o River alcançou a incrível marca consecutiva de dezoito finais do Campeonato Piauiense de Futebol entre 1949 e 1965. Desta façanha, a qual ganhou o apelido de Eterno Campeão, só não venceu as edições de 1949, 1957, 1964 e 1965.

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Pôster do Flamengo campeão Piauiense 1976 na revista Placar. Foto tirada na antiga sede da Avenida Barão de Gurgueia.
Boa parte desses jogadores atuou pela equipe na temporada seguinte.

Em pé: O técnico Paulo Murilo, Dema, Dodô, Chicão, Jorge Luís, Dias, o goleiro Jairo, Vágner, Luisinho, Antonio Carlos,
João Araújo Silva (O "Pato Preto"), o roupeiro Raimundo Soares, o massagista Muniz, e o presidente Wagner Torres.
Sentados: O goleiro Vánder, Joãozinho, Zé do Braga, Vidal, Jorginho, Zé Roberto, Bié, Pilinguiça, Augusto, Paulo Matos e Israel.

(1976 / Acervo da revista Placar / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: Ademar Danilo dos Santos "Carioca")
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Tudo muda com o torneio de 1964. A torcida riverina já dava como certa a conquista de mais uma taça. O Flamengo, já reativado desde 1952 e reestruturado no comando do presidente Jesus Elias Tajra e do técnico Vicente Trajano, encerrou o oba-oba e se sagrou campeão interrompendo o sonho do hexacampeonato do adversário. E de quebra fez o mesmo no ano seguinte: quando o empate em 1 a 1 dava o título aos tricolores, aos 45 do segundo tempo o gol do rubro-negro Gringo forçou uma terceira partida decisiva vencida também pelo Flamengo que se sagrou bi-campeão. Estava selada ali a rivalidade que ficou para a história com o nome de Rivengo, denominação atribuída ao jornalista Arimateia Moreira.

A rivalidade aumentou consideravelmente em 1973 quando a revista Placar promoveu em todo o Brasil o concurso "Qual é o Clube Mais Querido do Meu Estado?". No Piauí deu Flamengo em primeiro (13.169 votos) e River em segundo (10.218 votos), fato pelo qual o rubro-negro ficou conhecido até hoje com a alcunha de "o mais querido". Vários riverinos, incluindo o presidente Afrânio Nunes, protestaram atestando que havia irregularidades no concurso realizado no Piauí. A Placar averiguou e constatou realmente que 8005 cupons falsos foram lançados nas urnas no último dia de apuração, todos a favor do Flamengo. A eleição foi cancelada no Piauí (O mesmo aconteceu em Alagoas). E até hoje ninguém sabe qual é o clube de maior torcida do estado.

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Uma das formações do River durante o Campeonato Piauiense 1977.
(1977 / Acervo da revista Placar / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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River retorna ao Estadual

Com as proximidades do início do Campeonato Nacional de 1975 ficou difícil encontrar datas para a realização da final do Campeonato Piauiense. Por essa razão o título daquele ano foi dividido entre River e Tiradentes. Como em 1973 a Federação Piauiense de Desportos escolheu o Tiradentes como representante do Piauí, mesmo tendo o River sido campeão do Estadual*, os dirigentes tricolores esperavam que em 1975 fosse o clube o eleito, conforme havia sido combinado entre as partes, no Palácio de Karnak, diante do governador Dirceu Mendes Arcoverde. Não foi o que aconteceu e, em represália, decide não disputar o Estadual de 1976 só retornando um ano depois quando reativa o seu departamento profissional de futebol.

Com a desativação, o caminho ficou livre para o Flamengo que tinha um plantel melhor que os outros adversários na conquista do campeonato de 1976.

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Lance de River 1x1 Flamengo, 2ª partida da final do 2º turno.
Na imagem, da esquerda para a direita: Sima (River), Augusto (Flamengo), Nivaldo (River),
o árbitro José Roberto Wright, e Zé do Braga (Flamengo).
(1977 / Jornal O Estado / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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Campeonato de 1977: ânimos exaltados

O Estadual de 1977 é tido pela crônica esportiva local como o mais disputado de todos os tempos. Mesmo sendo difícil fazer esse tipo de comparação, pode se dizer com certeza que o torneio foi, pelo menos, um dos mais longos. Com três turnos e oito equipes (Botafogo, Comercial, Flamengo, Fluminense, Parnaíba**, River, Piauí e Picos), iniciou em março e terminou em outubro.

O Flamengo manteve boa parte da equipe campeã de 1976 para a competição tendo o volante Augusto, de 22 anos, como uma das grandes sensações. Ajudou também o lançamento do Carnet Milionário - mais um desses títulos de capitalização - que fez bastante sucesso entre os rubro-negros. Era uma tentativa, através do presidente Sebastião Leal Junior, de angariar recursos para melhorar a modesta e pouco animadora sede social que se localizava na Avenida Barão de Gurgueia, no bairro Tabuleta (Zona Sul de Teresina) e, assim, atrair mais sócios. Mais de 10 mil carnês foram vendidos nos principais postos de vendas entre eles a Loja Milionária da Sorte (Rua 13 de maio - Norte), na Rádio Pioneira e no escritório do Flamengo (Rua Rui Barbosa), o que alavancou as rendas do clube.

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Time do River campeão do Campeonato Piauiense 1977.
Em pé: O goleiro Paulo Figueiredo, Marins, Joca, Meinha, Valdemar e Garrido.
Agachados: Santos, Sima, Nivaldo, Nunes e Derivaldo.
(1977 / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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Já o River, com a ajuda do pagamento dos seus mais de dois mil sócios na época, contratou a estrela Sima, que atuava pela primeira vez no time. Além do atacante, eram destaques Meinha (Sport Recife e Moto Club), Nivaldo (Apelidado de “coalhada” pela torcida), Derivaldo (O “rei do pênalti”), o goleiro Paulo Figueiredo (Anteriormente no Tiradentes e em clubes do futebol maranhense), e o experiente técnico Manoel Felipe (“Manoelzinho”), que substituiu Jalbert de Carvalho após a derrota na final do 1º turno. Também formou parte dos quadros tricolores por pouco tempo uma estranha e pouco conhecida contratação: o goleiro argentino Daniel R. Vulich, que permaneceu como reserva, em 1976, pelo Club Comunicaciones, de Buenos Aires (Argentina)***.

Foram ao todo realizadas doze partidas entre os dois maiores clubes do Piauí ao longo do torneio sendo 4 vitórias tricolores, 4 vitórias rubro-negras e 4 empates****. O River venceu dois turnos (O 2º e o 3º) e o Flamengo um (O 1º)*****, classificando as duas equipes para as finais na melhor de três pontos****** e confirmando o que muitos jornalistas esportivos já assinalavam: eram os melhores times do campeonato em quesito técnico e tático.


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Gol de Nivaldo na 1ª partida das finais do Campeonato Piauiense.
(1977 / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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No quesito arbitragem, após o primeiro Rivengo do ano todos os demais tiveram um árbitro dos quadros de outra Federação. Foi uma exigência dos dirigentes dos dois clubes a Francisco das Chagas Machado Queiroz, presidente da Federação Piauiense de Desportos, para garantir lisura e tranquilidade nas partidas. Entre os que atuaram no clássico estavam José Marçal Filho, Walquir Magalhães Pimentel, José Roberto Wright, Luís Augusto Pinto e Luís Carlos Félix (Todos pela antiga Guanabara*******); Dulcídio Wanderley Boschilia e Alfredo Gomes (São Paulo); e Abel Santos (Minas Gerais), que comandou o último jogo das finais.

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Uma das formações do Flamengo no clássico diante do River.
Em pé: O goleiro Hindemburgo, Jorge Luís, Zé do Braga, Augusto, Vidal e Edinho.
Agachados: Gringo, Dote, Jorginho, Décio Costa e Israel.
(1977 / Acervo da revista Placar / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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Mas o que mais chamou a atenção foi que durante quase todo o torneio alguns acontecimentos acirraram os ânimos dos dois clubes. Ainda no primeiro turno, nas vésperas da partida River x Botafogo, o atacante Sima teria atropelado com seu carro um popular quando se dirigia à concentração do clube tricolor, nessa época localizada na Zona Leste da cidade. Foi motivo suficiente para supostos membros rubro-negros infernizarem o atleta, inclusive ameaçando-o de morte, o que, segundo os dirigentes do River, o deixou sem condições psicológicas durante o jogo acarretando em um péssimo empate em 1 a 1. O caso se arrastou até o Rivengo do dia 10 de abril quando Sima recebeu intimação falsa para depor. Fato semelhante aconteceu com o atacante Derivaldo que teria também atropelado uma menina em 1973 e, curiosamente, apresentaram pedido de prisão quatro anos depois, faltando poucos dias para a grande final! Os dirigentes tricolores atribuíram os fatos a tentativas flamenguistas de desfalcar o time.

Lá pelas tantas, após o segundo turno, é dada a notícia de que o atleta Edmar Oliveira Pinto, do River, estaria atuando de maneira irregular. O Flamengo denunciou à Justiça Desportiva que o meia riverino ainda mantinha vínculo empregatício na Confederação Brasileira de Desportos com o Icasa do Ceará. A existência de dois contratos era motivo suficiente para punições a jogador e clube podendo o River perder até o título do segundo turno. O caso Edmar se arrastou por algum tempo até que se descobriu que o documento de acusação apresentado era falso. 


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Lance da 2ª partida das finais: Flamengo 2 x 1 River.
(1977 / Acervo da revista Placar / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: Ademar Danilo dos Santos "Carioca")
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E mais: antes da terceira partida final na melhor de três , o River foi acusado de aliciar atletas do Flamengo para o Campeonato Nacional 1977 e para a próxima temporada sendo eles o goleiro Hindemburgo, o atacante Jorginho e o lateral-esquerdo Edinho. Verdade ou não, o fato é que pelo menos Jorginho acabou se mandando de vez para o Galo em 1978 confirmando as suspeitas do presidente Sebastião Leal Junior de que Francílio Almeida, presidente riverino, andava oferecendo contrato ao atleta.

Os ânimos não se aquietaram nem mesmo minutos antes da bola rolar na decisiva terceira partida final. No gramado do Albertão, o chefe de torcida riverino Pintinho resolveu, do nada, dar uma rasteira no chefe de torcida rubro-negro Sargento Salim Freire.


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Equipe do Flamengo que jogou a 3ª partida das finais do Campeonato Piauiense.
(1977 / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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As finais: mais de 20 e 30 mil na melhor de três pontos

Quem presenciou os três jogos decisivos das finais garante que Teresina parou para vê-los. Carentes de grandes locais de entretenimento, os teresinenses buscavam o lazer nos mais variados eventos disponíveis sendo o futebol local e também as coroas dos rios Parnaíba e Poti os que se sobressaíam ao ser muito procurados durante aqueles anos.

O palco das partidas, o estádio Albertão, continuava inacabado e com capacidade para quase 40 mil espectadores. Isso para uma cidade que já contava com mais de 360 mil habitantes e que, segundo o Censo de 1980, teria mais de 500 mil.


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Equipe do River que jogou na 3ª partida das finais do Campeonato Piauiense e se sagrou campeã.
Em pé: O chefe de torcida Pintinho com a bandeira do River, o goleiro Paulo Figueiredo, Joca, Marins, Meinha, Valdemar e Garrido.
Agachados: Edmar, Sima, Nivaldo, Nunes e Derivaldo.
(1977 / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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Só na primeira partida decisiva, com o placar de 2 a 0 para o River (Um de Nivaldo e outro de Derivaldo cobrando pênalti), o público oficial pagante foi de 30.758 pessoas. No segundo jogo, uma queda: 26.765 para ver a vitória rubro-negra forçando uma terceira disputa com 37.686 pagantes, sendo vendidos 1000 ingressos para cadeiras, 23.190 para as gerais, 7500 para as arquibancadas e 5996 para crianças.

Logicamente que entrou muito mais gente no estádio em todos os jogos das finais. O número de não-pagantes na última partida, por exemplo, foi de 2045 e incluiu jornalistas, credenciados, equipe de serviço e convidados. O público total foi de 39.731 espectadores, a maior lotação da história em partidas locais. Até 1983 foi a maior da história futebolística do Albertão quando a partida Tiradentes x Flamengo carioca superou o record.


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Por outro ângulo, o gol de Nivaldo na 1ª partida das finais do Campeonato Piauiense.
(1977 / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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Eram tantos torcedores que era possível ver filas de veículos estacionados em vários trechos da Avenida Miguel Rosa. Gente de todos os pontos de Teresina e até do interior do estado se locomoveram ao estádio Albertão para as finais.

No último jogo, os quase 40 mil torcedores viram logo aos 3 minutos o veterano rubro-negro Dema cabecear para as redes do goleiro Paulo Figueiredo. O placar seguiu assim até os 25 minutos quando Sima empatou. A virada acontece quinze minutos depois com uma cobrança de falta e outra vez Sima é o autor do gol. Faltando menos de onze minutos para o fim do jogo, Dote empata a partida em um forte chute levando a decisão para a prorrogação em dois tempos de 15 minutos cada. E logo aos 8 minutos, Nivaldo faz o terceiro. A partir daqui o Flamengo não conseguiu mais assustar o rival. A impossibilidade de empate ficou mais evidente com a expulsão de Zé do Braga no 2º tempo da prorrogação. O River se tornou campeão do Campeonato Piauiense. Festa da torcida nas ruas e avenidas de Teresina com bandeiras em branco, preto e vemelho, charangas, e o hino do clube sendo entoado a plenos pulmões.


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Equipe do Flamengo que disputou a 1ª partida das finais do Campeonato Piauiense.
Em pé: O goleiro Bartolomeu, Maurício, Vágner, Augusto, Vidal, Edinho e o chefe de torcida Sargento Salim Freire.
Agachados: Pilinguiça, Dote, Décio Costa, Bié e Israel.
(1977 / Acervo de Dídimo de Castro / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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Artilheiro do Brasil

Simão Teles Bacelar, o Sima, foi o artilheiro do Piauiense 1977 com 33 gols assinalados e, dessa vez, se tornou o maior goleador dos Estaduais em todo o Brasil. Ganhou até uma matéria especial da revista esportiva Placar na edição de 28 de outubro. A empolgação era tão grande que a torcida riverina chegou a promover uma campanha para a ida do jogador à Seleção Brasileira comandada pelo técnico Cláudio Coutinho. Infelizmente, Sima encerraria a carreira em 1987 sem nunca ter sido sequer convocado para o escrete canarinho.

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Ao lado, imagem de Sima com a camisa do River:
artilheiro do Campeonato Piauiense e goleador máximo dos Estaduais de 1977 em todo o Brasil.
(1977 / Acervo da revista Placar / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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Gol de Nivaldo na prorrogação da 3ª partida das finais do Campeonato Piauiense.
(1977 / Acervo da revista Placar / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: Ademar Danilo dos Santos "Carioca")
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Videotape

Não se tem notícias de que alguma partida do Estadual 1977 tenha sido gravada em vídeo pela TV Rádio Clube, o único canal piauiense de TV em Teresina nessa época. Instalada em 1972 na região do bairro Monte Castelo, dois anos depois seu sinal já alcançava Timon (Maranhão) e alguns municípios piauienses. Porém, precariedade, limitações técnicas e dificuldades operacionais do início da emissora resultaram na ausência de um precioso registro em videotape do torneio. Sem contar que mesmo tendo sido feito o registro televisivo ainda teria que ser feita a conservação do material, pois se sabe que a TV Clube tinha o péssimo hábito de reutilizar as fitas fato que contribuiu para a perda de muitos programas locais das décadas de 1970 e 1980.

Enquanto estados vizinhos como Ceará e Maranhão possuem gravações antigas de seus clubes de futebol na década de 1970, restaram apenas do Campeonato Piauiense de 1977 as esparsas imagens fotográficas e os áudios das transmissões feitas pelas rádios da capital como a Pioneira.


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Pôster do plantel do River campeão Piauiense 1977 na revista Placar.
Foto tirada na antiga sede do clube na Zona Leste.

Em pé: O técnico Manoelzinho, o massagista Lincoln, Ivan, Valdemar, o goleiro Floriano, Joca,
o goleiro Paulo Figueiredo, Lessa, Marins, Cláudio, o goleiro Gutemberg e o vice-presidente Antonio Mendes de Carvalho Neto.
Sentados: Santos, Queirós, Garrido, Meinha, Edmar, Nunes, Nivaldo, Sima, Derivaldo e Luís Sérgio.

(1977 / Acervo da revista Placar / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: Ademar Danilo dos Santos "Carioca")
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* A Sociedade Esportiva Tiradentes, time da Polícia Militar do Piauí, conquistou o estranho Torneio Seletivo em 1973, competição que dava vaga para um clube piauiense no Campeonato Nacional. Pelo critério técnico, a coerência manda que a vaga deva sair do vencedor do Campeonato Piauiense conforme protestou o presidente riverino Afrânio Nunes na época.
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Somente em 1998 que o Conselho Deliberativo azulino regressou com o nome Parnahyba Sport Club. Foi com a grafia aportuguesada - Parnaíba Esporte Clube - que a equipe do litoral disputou o certame de 1977.
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Duas partidas terminaram empatadas e foram para a prorrogação, ambas com vitórias do Ríver. Optou-se por considerá-las aqui como triunfos tricolores.
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A informação da contratação do goleiro argentino consta no Jornal O Estado (Teresina, edição do dia 06 de abril de 1977), mas com o nome do clube argentino grafado equivocadamente como “Comunication” (sic). Natural da cidade de Rosário, Vulich ficou no banco de reservas na então Primera B de 1976, uma espécie de Terceira Divisão do Campeonato Argentino. Ao que tudo indica, também não saiu do banco de reservas da equipe teresinense figurando como terceiro ou até quarto goleiro.
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A existência de três turnos é uma das provas de desorganização dos dirigentes na elaboração de um calendário futebolístico mais enxuto. Mesmo tendo vencido dois turnos, o River teria que ir mesmo assim às finais.
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Só a partir da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, é que a FIFA estabeleceu oficialmente a vitória por três pontos. Antes disso o time vencedor levava dois pontos. O empate continuava sendo um ponto.
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Embora o estado da Guanabara tenha deixado de existir em 1975, a Federação Carioca de Futebol (Guanabara) durou até 1978 quando se fundiu com a Federação Fluminense de Futebol (Restante do estado do Rio de Janeiro) dando origem à atual Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.