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Anedotas teresinenses (02)
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15/07/2016

Continuamos com a saga de histórias curiosas, intrigantes ou engraçadas que aconteceram na cidade seja no passado distante ou recente. Quem não viu a primeira parte pode conferir clicando aqui.

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Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
a·ne·do·ta |ó|
substantivo feminino
Breve narração de caso verídico pouco conhecido; chiste.


Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa
a·ne·do·ta
substantivo feminino
(Do grego anékdotos) 1. Relato abreviado de uma particularidade histórica. 2. No uso mais comum, historieta de efeito cômico; pilhéria, piada.
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Reprodução de página do jornal O Dia.
(24 de julho de 1976 / O Dia / Acervo digital Teresina Antiga)
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- Quando o paranormal israelense Uri Geller se apresentou em 15 de julho de 1976, na TV Globo, em um programa especial de auditório chamado de Uri Geller Ao Vivo, comandado por Hilton Gomes, causando alvoroço em todo o Brasil. Na ocasião, entortou colheres e fez funcionar relógios e outros aparelhos faz muito tempo parados. Em Teresina, várias pessoas alegaram ter conseguido entortar colheres e garfos ao assistir Geller pela televisão. Um deles, Lindomar Vieira, assegurou que seu relógio voltou a funcionar devido aos poderes da mente do israelense.

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Uri Geller na TV Globo.
(1976 / TV Globo / Acervo digital Teresina Antiga).


- Por falar em TV Globo, o jornalista Paulo José Cunha, primo de Torquato Neto, carioca de nascimento e piauiense por adoção, trabalhou durante algum tempo na Vênus Platinada. Abaixo, um vídeo de 1984 em que entrevista para o Jornal Nacional o deputado federal Nelson Marchesan em virtude das expectativas pela volta das eleições diretas no Brasil.

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Paulo José Cunha entrevista o deputado federal Nelson Marchesan.
(1984 / TV Globo / Acervo digital Teresina Antiga)

- As falsas imagens do açude Petrônio Portella, em São Raimundo Nonato, "sangrando". Foram emitidas para todo o Piauí, em 1986, como campanha publicitária e também como estratégia eleitoreira do governador Hugo Napoleão para o Senado. Enganou muita gente em Teresina - as imagens eram de um açude no Ceará! -, tanto que Hugo obteve vaga de senador com muitos votos na capital.

- O bairro Buenos Aires, na zona norte de Teresina, que se chama assim devido à uma antiga festividade no local, semelhante ao Reisado, denominada de "Bois nos ares". A pronúncia rápida e despretensiosa (Corruptela, assim chamam os estudiosos da linguagem) deu origem ao nome do bairro que em nada tem a ver com a capital da Argentina.

- A época em que a TV Pioneira era afiliada da TV Bandeirantes com o canal 7. A frequência só mudou para o atual canal 5 algum tempo depois. Nos primeiros anos da emissora era possível assistir seriados como Gordo e Magro, Agente 86 e episódios do National Geographic.

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Reprodução parcial de página do jornal O Dia com anúncio da programação da TV Bandeirantes e sua afiliada TV Pioneira.
(1986 / O Dia / Acervo digital Teresina Antiga)
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- Pira de soldado, que é o nome popular em Teresina da escabiose, uma doença emitida por ácaros e, portanto, causadora de coceiras. De tanto o indivíduo se coçar acabava aparecendo feridas na pele. Também é conhecida como sarna humana ou pereba. Nos colégios teresinenses bastava que um infeliz tivesse duas ou três feridas para ser chamado de perebento.

- A queda do teto do Ginásio de Esportes Verdão em 1995. O cantor Roberto Carlos iria fazer no final de semana (Domingo à noite) uma apresentação no lugar. A jornalista Elvira Raulino, já sabendo do repertório do "rei", deixou reportagem pronta para a impressão da edição matinal de sua coluna no dia seguinte relatando - vejam só! - que havia estado presente no show e que tinha sido um "ótimo espetáculo".

A camisa do River na telenovela Vereda Tropical (TV Globo, 1984). O personagem Luca, interpretado pelo ator Mário Gomes, vestia a vermelhinha tricolor, mas sonhando jogar no Corinthians. O engraçado é que o clube se chamava Cantareira. O escudo da equipe teresinense foi ligeiramente modificado para um estilo arredondado.

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Ao lado, frame do primeiro capítulo da telenovela "Vereda Tropical".
(1984 / TV Globo / Acervo digital Teresina Antiga)
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- O surto de avistamentos de Ovnis no Piauí em 1976. Começou em Pedro II, na montanha da Cangáia, tendo provocado a suposta morte de uma mulher, e febre e dores de cabeça em outras pessoas. Após a notícia em jornal impresso, o tal objeto resolveu aparecer em Campo Maior até chegar em Teresina. Na capital, foi visto no Morro do Uruguai, Piçarra, Cajupi e Usina Santana. Curiosamente todos os avistamentos eram em localidades rurais ou em lugares repletos de casebres de palha, e os relatos feitos em grande parte por pessoas de baixa escolaridade que aparentemente queriam alguns minutos de fama. Na vizinha cidade maranhense de Timon, um advogado afirmou ter tido contato - por meio de gestos e mimicas (!!!) - com um tripulante do disco voador! Nada sobre o tal ovni foi comprovado.

- O matador de aluguel Catanã que aterrorizou Teresina nas décadas de 1950 e 1960. Era paraibano, mas morreu envenenado na capital piauiense, em uma casa do bairro Piçarra. Consta para os mais antigos diversas histórias envolvendo seu nome. Em uma delas, o dono de uma famosa loja da cidade chamada Útil Lar contratou o pistoleiro para o trabalho de cobrador. Curiosamente muitas dívidas atrasadas foram rapidamente quitadas. Inadimplência zero.

- Os famosos "santinhos", pequenos papéis com a foto e o número dos candidatos a cargos políticos. Só serviam para a meninada fazer aviõezinhos, desenhar nos infames alguns bigodes, chifres e línguas, pintar os dentes, e pôr balões com dizeres ofensivos. A denominação se refere à semelhança aos santinhos da Igreja Católica entregues durante as missas com a diferença que os políticos em nada tinham de santos.

- Fuzuê ou frusuê. Expressão popular em Teresina que significa confusão. Era muito falada pelas mães em tom raivoso sempre antes de repreender os filhos danados.

- Ir ao estádio Albertão nem sempre significava apreciar a partida e as boas jogadas. Também tinha que ter desenvoltura para se desviar dos sabugos de milho e de latas e copos com urina atirados por torcedores irresponsáveis.

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Na imagem ao lado, reprodução de "santinho" muito comum em Teresina.
(1973 / O Dia / Acervo digital Teresina Antiga / Foto por: n/d)
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- Foram os comerciantes sírio-libaneses, apelidados pejorativamente de carcamanos, que introduziram em Teresina o hábito de residir no próprio estabelecimento comercial, tendo a moradia com a famíĺia nos fundos da loja. Até o início do século XX, os comerciantes teresinenses não tinham esse costume, pois viviam em outros lugares. As lojas só funcionavam até o meio-dia retornando às 14h ou 15h. A introdução do comércio-moradia por eles foi digna de nota, uma vez que residindo na própria loja poderiam atender clientes em qualquer horário. Consequência: aumentaram seus lucros. 

- Até a década de 1980 os únicos refrigerantes disponíveis na capital eram a Coca-Cola, a Fanta, o Tufy, os guaranás Simba, Brahma e Antárctica, e em alguns pouquíssimos lugares o maranhense Jesus. Havia também o Crush, vendido em uma garrafinha de cor âmbar no inconfundível sabor laranja, e engarrafado e distribuído em Teresina pela Tufy Jorge Tajra Refrigerantes Ltda. Criado em 1911 nos Estados Unidos e voltado para o mercado latino-americano, foi comprado pela Coca-Cola. Ao que tudo indica não é mais produzido no Brasil para evitar concorrência com outra marca da Coca-Cola: a Fanta Laranja. É encontrado atualmente na América do Sul em países como Argentina, Uruguai e Bolívia. 

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Na imagem ao lado, anúncio do refrigerante Crush.
(1973 / O Dia / Acervo digital Teresina Antiga)
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- Um dos primeiríssimos programas locais da TV Clube foi o TP Studio. Foi ao ar em 1972, todas as segundas às 21h, apresentado pelo teatrólogo Tarciso Prado, com cenário produzido pelo artista Alberth Piauí, direção de Ary Sherlock (Um dos artistas pioneiros do teleteatro da TV Ceará) e participação de Deusdeth Nunes (O "Garrincha"). Vários compositores piauienses deram as caras no programa - exibido ao vivo! - como Lena Rios e Assis Davis, ambos fazendo sucesso no Rio de Janeiro, e Francy Monte, que compôs o Hino do Tigrão - a Sociedade Esportiva Tiradentes, nessa época a sensação do Campeonato Brasileiro de Futebol. Em 1973, o teto do estúdio da TV Clube, onde era produzido o programa, desabou. Prado, que não gostava do formato televisivo, aproveitou a situação para encerrar a carreira nesse meio. Nenhuma gravação sobrou para contar história devido à política da emissora de reutilizar as fitas.

- A antiga fábrica de asfalto de Teresina que ficava localizada no bairro Matadouro, na região que fica hoje o Clube do Gari (Entre o Aeroporto e o Teatro do Boi). Sabia-se sua localização de longe em decorrência do rastro de fumaça escura e densa que deixava nos céus. Em 1973, um fato estranho: uma das caldeiras se incendiou devido às altas temperaturas e a Prefeitura Municipal ficou sem asfalto por vários dias. Foi inaugurada em 1968 pelo então Governador Helvídio Nunes de Barros. Representou mudanças no aspecto da cidade, mas não antes sem críticas principalmente no primeiro governo Alberto Silva quando os teresinenses temiam que a pavimentação asfáltica aumentasse o calor já escaldante da capital.

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A antiga fábrica de asfalto.
(1968 / Agência Nacional / Acervo digital Teresina Antiga).